A Comunicação e a Pandemia

A situação pandémica que se vive em todo o mundo, pela sua gravidade, tem implicado a
divulgação de grandes fluxos informação, entre especialistas de várias áreas, técnicos de
saúde, e políticos. Naturalmente, a população em geral deve ser informada com rigor sobre a
realidade que a afecta e convidada a assumir comportamentos e posturas que contribuam para
ultrapassar todos os efeitos nefastos desta pandemia. É evidente que a Comunicação Social e
os jornalistas, em particular, desempenham um papel muito importante na gestão da
informação neste tempo de crise. Mas atenção será que tudo o que está a acontecer neste
campo da comunicação é positivo? Todos os dias e a todas as horas, repetidamente, somos
informados de forma obsessiva do número de infectados, do número de falecimentos, da
situação grave dos novos hospitais e até da saturação dos crematórios, reforçando em muitos
de nós, não só o medo de adoecer, como pensar que não há uma cama para me receber se
adoecer. E este «massacre» de informações, através dos telejornais, continua com imagens
macabras de cemitérios superlotados em situações caóticas em muitos países por esse mundo
fora. É natural que com todo este excesso de informação aumente a insegurança em que
vivemos.
Um outro aspecto que merece realce é o excessivo «gosto» que alguns Órgãos de
Comunicação têm por apresentar e enfatizar situações negativas. Veja-se, por exemplo, o caso
das vacinas – esperança no meio desta tragédia- e o tempo usado para divulgar a utilização
fraudulenta da sua aplicação, (cerca de 1% dos casos) e deixando na sombra o número
crescente de pessoas vacinadas.
Muita coisa deve ser alterada. As nossas televisões, as nossas rádios e os nossos jornais
devem repensar as suas estratégias para estarem ao serviço da paz social. A forma e o tom
como são apresentados muitos telejornais, noticiários radiofónicos com empolamento do
negativo, as entrevistas em que o entrevistador quer apenas que o entrevistado diga a que ele
pretende ouvir, a divulgação de notícias não confirmadas (algumas falsas), os debates
interactivos, têm – insiste-se – que ser reflectidas e alteradas.
O Papa Francisco, na sua Mensagem Quaresmal para 2021 convida os Cristãos e a todos os
que os outros homens e mulheres de boa vontade a «jejuar que significa libertar a nossa
existência do tudo o que a atravanca, inclusive da saturação de informações – verdadeiras ou
falsas – e produtos de consumo, a fim de abrirmos as portas do nosso coração.»
Façamos votos para que todos nós, e em particular os trabalhadores da Comunicação Social,
sejamos receptivos ao apelo do Papa Francisco. Todos devemos contribuir para eliminar o
excesso desnecessário da informação a que temos estado sujeitos e, garantir uma informação
de qualidade absolutamente necessária numa sociedade desenvolvida.

António Soares